O que é um firewall de validação determinístico
Um firewall de validação determinístico separa quem propõe um achado (a IA) de quem decide se ele é real (código determinístico). Entenda o conceito e como o EVERSEC RAGE o implementa.
Um firewall de validação determinístico é a camada de decisão, feita de código determinístico e não de um modelo de IA, que fica entre "um agente de segurança propôs um achado" e "esse achado vira um relatório enviado". A ideia central é simples de enunciar e difícil de operacionalizar: separar quem propõe (o modelo, que pode se convencer de algo que não é real) de quem decide (regras determinísticas que sempre produzem o mesmo veredito para a mesma evidência).
O problema que ele resolve: a IA propõe, mas quem decide?
Um agente de IA ofensivo é bom em explorar um espaço grande de hipóteses rapidamente, mas um modelo de linguagem também pode descrever com confiança algo que não se sustenta como vulnerabilidade real. Se a mesma IA que encontra também é quem decide sozinha o que é válido, o sistema herda o viés de confiança do modelo: ele tende a acreditar no que ele mesmo gerou. Um firewall de validação determinístico quebra esse acoplamento: a decisão final deixa de ser uma opinião do modelo sobre o próprio trabalho e passa a ser o resultado de regras fixas aplicadas à evidência coletada.
Como funciona na prática: gates, AutoReject e veredito padrão de descarte
No EVERSEC RAGE, produto da ONEVERSEC, isso é implementado como 10 gates de validação mais um AutoReject, todos rodando fora do modelo de IA. Nenhum achado chega a virar report sem passar pela sequência completa, e o padrão do sistema, sempre que há qualquer dúvida, é descartar (KILL), nunca reportar. Essa escolha de padrão é o que dá ao firewall seu caráter determinístico: a mesma evidência insuficiente produz sempre o mesmo descarte, independentemente de quão convincente a narrativa da IA em volta dela pareça.
Da validação à severidade: CVSS 4.0 derivado de evidência
A validação não termina em "isso é real ou não". Para o que sobrevive, a severidade também não é escrita pela IA como texto livre: ela é derivada da evidência coletada, seguindo o padrão CVSS 4.0. Duas descrições parecidas de um mesmo tipo de bug podem receber severidades diferentes dependendo do que foi de fato provado, porque o cálculo segue a evidência, não a prosa do relatório.
Do achado ao report: zero auto-submissão e PoC em vídeo
O firewall determinístico decide o que pode virar um report candidato; ele não decide sozinho o envio. No EVERSEC RAGE, todo envio exige aprovação humana (zero auto-submissão), e todo achado confirmado sai acompanhado de um vídeo de PoC reproduzível, construído para que quem faz a triagem do outro lado consiga reproduzir o bug assistindo só ao vídeo, sem precisar confiar na palavra do agente.
Por que isso importa para quem recebe o report
Do ponto de vista de quem faz a triagem (um programa de bug bounty, um time de segurança interno), a origem do achado importa menos do que a qualidade da prova. Um firewall de validação determinístico existe para que, quando um report chega, ele já tenha passado por uma camada cética por padrão, com severidade calculada a partir de evidência e não declarada, e com um humano tendo revisado o envio antes de sair.